IV Domingo do Advento
Padre José Ronaldo de Oliveira Marques*
A liturgia dominical nos convida a participar da alegria da chegada do salvador no coração da humanidade. A mensagem de Deus chegou para o seu povo escolhido com um forte apelo para a conversão, como é próprio do tempo do advento. A palavra Divina foi transmitida por Deus para libertação de seu povo, essa mesma palavra chegou até nós por meio de Maria que trouxe em si o verbo encarnado, Jesus Cristo. Maria, por sua vez, transmite a mensagem a Isabel e a João Batista, ambos representam toda a humanidade exultante de alegria.
A vinda de Jesus foi preparada por Deus e está descrito no Antigo Testamento. Os profetas ao longo dos tempos fizeram deste anúncio a esperança para o povo sofrido. O povo de Deus experimentou momentos difíceis na sua história, a exemplo, do período do cativeiro da babilônia e da dominação do Império Romano. Os profetas interpretaram o sofrimento do povo, como consequência da sua desobediência e infidelidade à lei e à aliança de Deus. O pacto de Deus foi estabelecido com o patriarca Abraão no deserto e sua descendência, como contrapartida o patriarca e seus filhos deveriam obedecer a Deus e seus preceitos. Este pacto é plenificado em Jesus Cristo – O Sumo Sacerdote da Nova aliança como descreve Paulo na segunda leitura a Carta aos Hebreus.
O profetismo foi um movimento bíblico que preparou a humanidade para receber o messias, destacando o nome de profetas que anunciavam o messias como: Isaias (53), Jeremias (23,5- 6), Miqueias (5,3), Zacarias (9,9) e João Batista (LC 1,43).1. A primeira leitura tirada do livro de Miqueias 5,14a nos apresenta o Salvador como pastor. O seu nascimento se deu em Belém que era o menor lugarejo de Israel. O anúncio de Miqueias é carregado de esperança e de novos dias para vida dos que confiam em Deus. O Messias mesmo conduzirá o seu povo. Assim o profeta destaca: “Ele se porá de pé e apascentará seu rebanho como a força de Javé, com a majestade do Nome de Javé, seu Deus. Habitarão seguros, porque ele então será grande até extremos confins da terra.” (Miqueias 5,3). Já, 2.
A segunda leitura da carta aos Hebreus 10,5-10 enfatiza o plano soteriológico, ou de salvação de Deus que se completa em Jesus Cristo. Paulo qualifica Jesus como Sumo Sacerdote que oferece a si mesmo para a salvação do mundo, para o autor da Carta aos Hebreus Cristo é vítima de expiação para a salvação da humanidade. Neste mesmo raciocínio que afirma o padre Francisco Cornélio da diocese de Mossoró – A carta aos Hebreus é o único texto bíblico que dá este título a Jesus, o de sumo sacerdote. A carta fez essa passagem do sacerdócio do Antigo Testamento para o Novo. A lei com seus rituais de expiação/purificação perderam sua força em Jesus Cristo que de uma vez só purifica toda a humanidade.
O 3. Evangelho de Lucas 1,39-45 tem o início com a cena de Maria partindo para a região montanhosa da Judeia. Este texto não nos é estranho, porque sempre o escutamos nas solenidades marianas. O gesto de Maria é sempre colocado como um de serviço para toda humanidade, de modo especial aos excluídos. O Papa Francisco destaca na sua encíclica Ladauto de Si uma mudança de comportamento, ou seja, da cultura do mundo e do seu fechamento para uma nova cultura a do encontro com as pessoas.
Nesta perspectiva do Evangelho Maria é modelo de Igreja e de comunidade de fé, pois ela está sempre atenta ao serviço dos mais vulneráveis. Ela vai ao encontro da humanidade, quando visitou Isabel com um gesto de disponibilidade e serviço. Lucas coloca em destaque Maria e Isabel no Evangelho, assim as figuras femininas são colocadas de proposito no texto lucano e desafiam a lógica da sociedade de sua época. A sociedade judaica excluía as mulheres. Segundo estudiosos da bíblia como Joel Antônio Ferreira, no antigo testamento as mulheres eram excluídas. O evangelista Lucas coloca as mulheres em evidencia como protagonistas da fé. Maria expressa este sentimento e protagonismo no Magnificat.
O significado da visitação de Maria na casa de Isabel gera uma explosão de alegria e ao mesmo tempo uma confissão: “Bendita és tu entre as mulheres e bendito é o fruto do teu ventre! ”. Como posso merecer que a mãe do meu Senhor me venha visitar? A confissão de Isabel de ser indigna de receber Maria em sua casa nos recorda a Davi em 2 Samuel 6,9 que também se sentiu indigno de receber a arca da aliança. A arca da aliança levava a lei de pedra em seu interior, por sua vez Maria traz nela o Salvador da Humanidade, a renovação da aliança, não somente com Israel, mais com toda a humanidade.
Portanto, a reflexão da liturgia da palavra enfatiza o caráter da fé a partir da colaboração de seres humanos na história da salvação. Maria, a mãe de Jesus, é a expressão maior deste encontro solidário de Deus com a humanidade. A expressão maior do amor divino por todos foi plenificada na Virgem de Nazaré e chegou generosamente à casa de Isabel e em seguida a todos. O Natal está próximo, na verdade bem diante nós e a alegria brota do coração puro e Imaculado de Maria. O sim de Maria afeta toda humanidade e assim como chegou à casa de Isabel e ao pequeno João Batista. Maria também venha nos visitar trazendo o menino Jesus e renovando a esperança de todas as famílias, que irão celebrar o Natal do Senhor com a certeza de tempos melhores.
*Padre José Ronaldo é mestre e doutor em Filosofia pela Universidade Federal da Paraíba-UFPB, bacharel em teologia pela Universidade Católica de Fortaleza e graduando em Letras pela Universidade Federal de Pernambuco UFPE. Atuando na Rede Pública (professor efetivo de filosofia) de ensino da Paraíba e Membro do Clero da Arquidiocese da Paraíba, exercendo as funções de Pároco da Paroquia São João Batista em Jacumã/Conde e Vigário da Forania Litoral.